Sunday, August 24, 2008

O meu quarto...

...reduziu-se a caixas! Caixas, caixinhas e caixotes que corporizam 30 anos de existência a nível material



A vantagem de empacotar tralhas é, precisamente, encontrar tralhas caídas no esquecimento, arrumadas longe da vista e da rotina diária.


Ora neste ambiente de perdidos e achados, encontrei um espelhinho de mão muito bonito, todo desenhado, do qual já me havia esquecido.


Encontrei, por incrível que pareça, alguns brincos soltos, caídos em locais estranhos. Por acaso não sou sonâmbula, senão diria que de noite o meu passatempo seria andar a esconder brincos pelo meu quarto.


Encontrei inúmeros bilhetinhos de alunos metidos nesta e naquela pasta, o que me fez voltar, por momentos, a relembrar certos alunos, certas turmas, certos colegas, certos anos lectivos.


Encontrei agendas antigas. Ok! Chamem-me sentimentalista mas não consigo ver-me livre das agendas. Adoro voltar a ler os meus compromissos; a minha lista "must do"; os aniversários das pessoas, incluindo o meu próprio (não me fosse esquecer); os meus desenhos em horas de tédio (aka algumas reuniões); as letras de canções escritas por me dizerem algo naquele momento; cópias de sms que gostei de receber, pensamentos pretenciosamente filosóficos; até uma mini-carta dirigida a Eça de Queirós, em resposta a uma sua sátira à sociedade portuguesa, que elaborei por brincadeira (pronto acho que agora tenho o perfil ideal para me internarem); e muito, muito mais... enfim, as minhas agendas são um bocadinho de mim condensado num ano, que, por alguma razão, estão sempre vazias no mês de Julho e Agosto.


Encontrei alguns marcadores de livros giríssimos, enfiados em livros que li e, por preguiça, não os tirei mais de lá.


Encontrei a minha colecção de "folhinhas queridas"! Não sei se alguem desse lado fez colecção de folhinhas queridas na primária, eu fiz! Elas eram, para mim, a parte mais importante e significativa de andar na escola, visto, lá, ter um leque rico de pessoas com quem trocar as folhinhas. Agora a parte triste da minha infância: os meus pais, às vezes, proibiam-me de levar a capa das folhinhas para a escola, por ser um factor de distracção (e por acaso era mesmo); mas eu, uma "piquena" determinada, escondia algumas folhinhas na minha mochila e lá ia toda contente e confiante para a escola. As minhas folhinhas queridas eram como a manta do Linus, conferiam-me conforto e segurança.

É por estas e por outras que as minhas arrumações duram uma eternidade!

3 comments:

patrícia said...

Ai, as folhinhas queridas... Que saudades!

paddy said...

Comigo acontece o mesmo. Tanta coisa para ver com atenção e de que já nem me lembrava... E também escrevo partes de músicas por aí :)

magarça said...

Ha precisamente um ano atrás estava a fazer a mesma tarefa. Muitos sacos de lixo, mas também muitas memórias de que não me quero livrar. A minha colecção de folhinhas é uma delas :) bjs