Monday, May 07, 2007

Cinema

O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA


Breve Explicação:


Um certo dia, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão decidiram assustar Lisboa, com a história mirabolante de um assassinato ocorrido na estrada de Sintra.
Tendo como única inspiração a força da imaginação, começaram a escrever. Combinavam, vagamente, na véspera o desenrolar da história e enviavam o original, em forma de carta anónima, para o director do "Diário de Notícias", que a publicava diariamente.
E, de facto, o "mistério" foi lido avidamente e conseguiu preocupar os lisboetas. Houve até leitores que acreditaram nos factos narrados, e mesmo quem tivesse medo de viajar para Sintra, chegando a fazerem-se investigações policiais no local.
Tudo se resolveu quando, ao fim de dois meses, os autores se identificaram e explicaram que, afinal, tudo não passava de um belo romance.
Foi publicado, sobre a forma de cartas anónimas, no Diário de Notícias, entre 24 de Julho e 27 de Setembro de 1870.
Em 1884 é editado em livro.






Sendo eu uma grande apreciadora do Realismo Queirosiano, mordaz e sempre actual, não pude faltar à grande chamada do cinema português.
Finalmente "O Mistério da Estrada de Sintra" em filme, uma das minhas obras preferidas de Eça, da qual já fiz com que muita gente se tornasse fã! Eu e o meu poder de persuasão... nunca niguém me diga que não gosta de ler, pois eu ponho até o maior analfabeto com um livro na mão! Oh Yeah

Posso dizer que me deliciei com os diálogos entre Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, sempre a "cascar" nos Românticos. O enredo é envolvente, cativante e apaixonante. Mas o que gostei mesmo foi de assistir a toda a controvérsia em da volta da publicação dos folhetins. Foi mesmo um prazer ver Eça e Ramalho e restantes Realistas retratados num filme.
O final é fantástico, antevendo já o nascimento de "As Farpas".
O parelelismo entre as duas histórias ficou extremamente bem conseguido.

O filme é maravilhoso, com uma produção fantástica, pouco habitual infelizmente no cinema português.
Saí do cinema completamente rendida à época.. e aos cavalheiros da altura; posso dizer que sempre tive uma paixoneta pelos homens de letras e estou completamente rendida a Eça de Queirós! Tanto é verdade que mal saí para as ruas ele foi graffitis a torto e a direito pelas paredes do Porto dizendo "Blondie Loves Eça".

Está na altura de recomeçar a minha leitura d´"As Farpas" que há muito anda descuidada.

Todos os amantes da BOA literatura portuguesa corram já para as salas de cinema!! Aconselho a que contextualizem previamente os dois autores para melhor perceberem alguns dos diálogos fantásticos do filme, de forma a não perder pitada.

Os meus parabéns ao elenco que não poderia ser melhor!!

11 comments:

formiguita bipolar said...

Vou seguir o teu conselho e vou ver o filme logo que possível!
***

Goncalo Veiga said...

Eu gostaria era de ver semelhante coisa nos dias que correm! ;) Era capaz de ser engraçado!

avelaneiraflorida said...

ADORO EÇA!!!!!! O DO SéC XIX e o "ACTUAL"...Todo o EÇA!!!!!

O pior é contagiar os meus "besouros" com esta minha "paixão"....
Mas não desisto de tentar!!!!

Vou tentar ver este filme!!!
Boa SUGESTÃO!!!

POETA VAGABUNDO said...

deste me vontade de ver o filme:)
beijo vagabundo loirinha:)

S.B. said...

ahh que bom saber que o querido Eça não foi "maltratado" no grande ecrã!!

Ando curiosissima para ver o filme, assim que possa verei :) beijinhos

Margarida said...

Também vou ver:)

Blondie said...

Acho que fazem TODOS muito bem! Não se vão arrepender...
Depois digam de vossa justiça :)

Beijinhos

black cat said...

ADORO O EÇA! Black Cat loves Eça! :-)
Mas tenho algum receio de ver o filme, vi a apresentação e não gostei de algumas cenas... De todos os livros do Eça, suas histórias e personagens, o meu favorito é o Ega (de "Os Maias") que se diz ser o alter-ego do Eça... aquele personagem é uma delícia e cada vez mais actual.

Blondie said...

Black Cat,
Sim, existem alguns estudos que comprovam que o Ega era o alter-ego do Eça o que faz todo o sentido, e é bastante notório pelos ideais que a personagem, sempre esquilibrada, defende. É um pouco a voz da consciência (o coro nas tragédias gregas) de Carlos.
Vai ver;)
Beijocas

Alexandre said...

Cara blondie. Devo dizer-te que gosto bastante do Eça, mas este filme é medíocre. Ou infra-medíocre. É mesmo muito mau. Como desconheço em absoluto os teus gostos cinéfilos, vou assumir apenas que tiveste um mau juízo.

Blondie said...

Alexandre,
eu adorei o filme!! Claro que também pode dar-se o caso de estar bastante entusiasmada com o facto de ver um dos meus autores preferidos no grande écran, ou até por alguém se ter lembrado de o colocar no grande écran.
Seja por que motivo tenha sido, eu gostei bastante...encheu-me as medidas ver o Eça no cinema :)

Beijinhos