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Monday, July 23, 2007

Afectuosa Indulgência

Ontem assisti pela segunda vez ao filme As Paixões de Júlia.

A personagem principal, Júlia, ficou brilhantemente entregue a Annette Bening. Fantástica, viciante neste papel.
Ao contrário, a interpretação de Tom desiludiu-me um pouco, pela leitura da obra, concebia-o de outra forma.

Li o livro "Being Julia" escrito por um dos meus autores preferidos Somerset Maugham.
Este escritor, juntamente com Virginia Woolf, conta com uma extensa bibliografia praticamente toda ela absorvida por mim.

Eu sou assim, absorvo tudo o que gosto...

Aconselho vivamente ambos, o filme e o livro.



Gosto especialmente de uma frase contida no prefácio do livro:
"Todos temos propensão para pensar que os outros só podem ter as nossas virtudes se tiverem igualmente os nossos vícios"
Somerset Maugham
As Paixões de Júlia 2005:6

Monday, July 02, 2007

I´m addicted to...

Há vícios que são saudáveis, não engordam, nem fazem mal à saúde física e mental, muito pelo contrário. Um deles é este programa na RTP2, o qual recentemente mudou de horário, passando para os domingos. Alguém deve ter ouvido as minhas preces, porque passar um programa destes às sextas à noite, era um crime.
Ontem, assisti ao programa. O convidado era Helder Macedo. Gostei bastante de o ouvir, excepto nalgumas considerações que fez. Eu sei que as ditas declarações são válidas e verdadeiras, mas entristecem-me.
Helder Macedo afirmou que a literatura de entertenimento é a que caracteriza uma sociedade, é essa mediocridade, essa literatura medíocre, que caracteriza os leitores de uma sociedade. É um Stephen King (ou um Dan Brown...acrescento agora eu) que caracteriza a sociedade e não um Joyce. Até porque é o primeiro que cria e chama leitores e nunca o segundo.
Correndo o risco de ter uma visão romântica, eu quero acreditar que isto possa ser passível de mudança. O povo pede o que está habituado a receber.
A literatura de entertenimento chama leitores, é verdade. Mas será que é esse tipo de literatura que queremos que a maioria das pessoas consumam? Será que está presente a ideia, de que as pessoas podem ler até a maior das porcarias que se escrevem por aí, mas o que interessa é ler.
Pessoalmente não concordo muito. Acho que as escolhas das pessoas são pautadas pelo seu universo, por aquilo que conhecem. Considero que este seja um problema de base, educacional, mesmo.
Se nas escolas se começasse a dar a conhecer mais autores de referência, o leque de escolha das pessoas seria mais alargado e, consequentemente, as suas escolhas literárias, seriam bem mais ponderadas e conscientes.
Não quero acreditar que um Dan Brown tenha mais poder e seja mais representativo
que um Umberto Ecco!!
É impensável, uma realidade dessas!!
Sei que o meu discurso neste post não é dos melhores, mas é que se há coisas que mexem comigo, esta questão é uma delas: a forma como se tratam as artes e a literatura, em particular!

Thursday, June 14, 2007

Interactividade

Hoje, ao final de um dia cansativo, deu-me para a interactividade.
Vou colocar aqui um excerto de um livro que estou a ler e a adorar, vejamos quem adivinha qual é o dito livro:

"Pensei: o gajo nunca mais chega. E depois pensei: não posso chamar-lhe "gajo", é um grande poeta, talvez o maior poeta do século vinte, morreu há muitos anos, tenho de o tratar com respeito, ou melhor, com respeitinho."

Vá lá, este excerto é facílimo ;)

Monday, May 07, 2007

Cinema

O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA


Breve Explicação:


Um certo dia, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão decidiram assustar Lisboa, com a história mirabolante de um assassinato ocorrido na estrada de Sintra.
Tendo como única inspiração a força da imaginação, começaram a escrever. Combinavam, vagamente, na véspera o desenrolar da história e enviavam o original, em forma de carta anónima, para o director do "Diário de Notícias", que a publicava diariamente.
E, de facto, o "mistério" foi lido avidamente e conseguiu preocupar os lisboetas. Houve até leitores que acreditaram nos factos narrados, e mesmo quem tivesse medo de viajar para Sintra, chegando a fazerem-se investigações policiais no local.
Tudo se resolveu quando, ao fim de dois meses, os autores se identificaram e explicaram que, afinal, tudo não passava de um belo romance.
Foi publicado, sobre a forma de cartas anónimas, no Diário de Notícias, entre 24 de Julho e 27 de Setembro de 1870.
Em 1884 é editado em livro.






Sendo eu uma grande apreciadora do Realismo Queirosiano, mordaz e sempre actual, não pude faltar à grande chamada do cinema português.
Finalmente "O Mistério da Estrada de Sintra" em filme, uma das minhas obras preferidas de Eça, da qual já fiz com que muita gente se tornasse fã! Eu e o meu poder de persuasão... nunca niguém me diga que não gosta de ler, pois eu ponho até o maior analfabeto com um livro na mão! Oh Yeah

Posso dizer que me deliciei com os diálogos entre Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, sempre a "cascar" nos Românticos. O enredo é envolvente, cativante e apaixonante. Mas o que gostei mesmo foi de assistir a toda a controvérsia em da volta da publicação dos folhetins. Foi mesmo um prazer ver Eça e Ramalho e restantes Realistas retratados num filme.
O final é fantástico, antevendo já o nascimento de "As Farpas".
O parelelismo entre as duas histórias ficou extremamente bem conseguido.

O filme é maravilhoso, com uma produção fantástica, pouco habitual infelizmente no cinema português.
Saí do cinema completamente rendida à época.. e aos cavalheiros da altura; posso dizer que sempre tive uma paixoneta pelos homens de letras e estou completamente rendida a Eça de Queirós! Tanto é verdade que mal saí para as ruas ele foi graffitis a torto e a direito pelas paredes do Porto dizendo "Blondie Loves Eça".

Está na altura de recomeçar a minha leitura d´"As Farpas" que há muito anda descuidada.

Todos os amantes da BOA literatura portuguesa corram já para as salas de cinema!! Aconselho a que contextualizem previamente os dois autores para melhor perceberem alguns dos diálogos fantásticos do filme, de forma a não perder pitada.

Os meus parabéns ao elenco que não poderia ser melhor!!

Saturday, April 21, 2007

Será bom ter esperança?

Esperança

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?
Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.

Almada Negreiros
...Ou será que é algo enganador, inglório e ilusório, bem ao estilo "sebastianista"?
Uma vez, em conversa com uma Amiga, dizia-se que as pessoas optimistas são as que mais sofrem, pois esperam sempre o melhor do futuro, projectam a mais *romântica* das esperanças...
Seja como for, junto a minha voz à do poeta no seu derradeiro apelo à Esperança -
este substantivo abstracto, feminino.

Wednesday, March 21, 2007

Dia Mundial da Poesia

A matéria das palavras


Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.
O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.
Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.
Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.
Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.
Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma
perfeição
especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.



Ana Hatherly
O Pavão Negro

No dia em que se comemora o Dia Mundial da Poesia, coloco, aqui, um poema de uma autora que recentemente tive prazer "conhecer", mais precisamente através da sua poesia visual.

Ana Hatherly, nascida em 1926 no Porto, é poeta vanguardista, ensaísta, tradutora e professora. Sinto-me completamente rendida à sua escrita, foi amor ao primeiro verso.